EUNICE GUTMAN

Sua trajetória começou na Bélgica, quando se distinguiu no curso de cinema do INSAS (Instituto Nacional Superior de Artes, Espetáculos e Técnicas de Difusão) de Bruxelas, passando a dedicar-se à edição de programas de televisão belgas e franceses. Nos anos 70, de volta ao Brasil, montou comerciais para TV e filmes para o cinema, como Os Doces Bárbaros de JomTob Azulay, do qual também foi co-roteirista.

A primeira direção foi o documentário E o Mundo era Muito Maior que a Minha Casa (1976), sobre alfabetização de adultos na zona rural do Rio de Janeiro. O título do filme retoma a constatação de uma senhora de 77 anos à medida que aprendia a ler. Realizou, em seguida, três curta-metragens, com Regina Veiga, com destaque para Só no Carnaval (1982), distribuídos pela EMBRAFILME no circuito comercial em cinemas de todo o Brasil.

A maior parte da obra de Eunice Gutman revela e analisa o papel da mulher na sociedade. Os filmes, em sua maioria premiados, sobrevivem ao tempo por tocarem em questões perenes da vida brasileira como a prostituição (Amores de Rua), a mulher negra (Benedita da Silva), a infância na favela (A Rocinha tem Histórias), a migração do campo para a cidade (Duas Vezes Mulher), a condição reprodutiva da mulher (Vida de Mãe é Assim Mesmo?), ou o espaço da mulher nas religiões (Feminino Sagrado). Em 1986, dirigiu a ficção média-metragem Tempo de Ensaio, com Joana Fomm, Zaira Zambelli, Regina Gutman, Angela de Castro, Paschoal Villaboim, entre outros. Em 1995, começa a produzir seu longa-metragem Palavra de Mulher, com imagens captadas na China durante a IV Conferência Mundial de Mulheres em Beijing, promovido pela ONU, em 1995. Tendo recebido o “Primeiro Prêmio” do Festival “La Mujer y el Cine” de 1994 em Mar del Plata, Argentina, por seu filme Amores de Rua, ganhou a viagem à China para participar da Conferência.

Por conta de sua atuação aglutinadora junto à classe cinematográfica, Eunice Gutman foi presidente da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD/RJ) entre 1985 e 1987, além de sócia-fundadora da Abraci – Associação Brasileira de Cineastas, onde participa, atualmente, da Diretoria. Organizou também, com outras cineastas, o Coletivo de Mulheres de Cinema e Vídeo do Rio de Janeiro, responsável por mostras paralelas de filmes de mulheres em festivais nacionais e internacionais. Em 1985, esteve em Nairóbi, Quênia, participando do festival do National Film Board do Canadá, durante a Conferência Internacional da Década da Mulher, com o filme “A Rocinha tem Histórias”.

De 2005 a 2007, foi a responsável pelo roteiro e direção dos vídeos do projeto Memória Viva, do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher/RJ, que reúnem algumas personagens notáveis do movimento feminista brasileiro. Em 2008, em cerimônia presidida pela deputada Inês Pandeló, recebeu da ALERJ a “MOÇÃO DE APLAUSOS E CONGRATULAÇÕES” pelo trabalho desenvolvido na Cultura e na Arte em prol do movimento de mulheres e pela transformação da sociedade.

Seu filme Nos Caminhos do Lixo. As Catadoras de Jacutinga, rodado em Nova Iguaçu, RJ, retrata mulheres chefes de família que fazem da reciclagem do lixo seu caminho para a sobrevivência e conquista de cidadania. O documentário ganhou o Prêmio Margarida de Prata para Cinema da CNBB 2009 e o Segundo Lugar no IV Festival do Audiovisual Ação Mulher, Recife, PE, em novembro de 2010, e seu filme Amores de Rua ganhou o primeiro lugar nesse mesmo Festival.
Dirigiu o espetáculo “Prelúdios, em quatro caixas de lembranças e uma canção de amor desfeito” que ficou em temporada no Rio de Janeiro na Casa de Cultura Laura Alvim e foi selecionado para o The New York International Fringe Festival (FringeNYC) em 2012, participando com uma série de apresentações no Gene Frankel Theatre com o título Prelude to Memories, and a Broken Love Song.

Atualmente, encontra-se em produção o longa-metragem Dirce, mestra em tempo contínuo, assim como Águas da Cidade, a construção de um sonho e Nunca é Tarde. Igualmente, o longa Luzes, memória, mulheres, ação (título provisório).

Em março de 2015 recebeu o Prêmio Leolinda Daltro, em sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.

Em maio e junho de 2015 participou da mostra alô alô mundo! cinemas de invenção na geração 68, em Valencia, Barcelona e Madrid, com o filme Só no Carnaval.

Obs1.:
Amores de Rua
Menção Honrosa The New York Festivals, 1993.
Melhor Vídeo Jornada Internacional de Vídeos e Filmes da Bahia 1994.
Primeiro Prêmio Festival La Mujer Y El Cine Mar Del Plata 1994.
Primeiro Lugar no IV Festival do Audiovisual Ação Mulher, Recife, PE, novembro 2010.

Obs2.:
A Rocinha tem Histórias
Melhor Direção e fotografia I Rio Cine Festival RJ 1985.
Melhor Direção 16mm Festival de Brasília do Cinema Brasileiro 1985.
Margarida de Prata da CNBB Brasília 1986. Melhor Direção no Festival de Gramado RS 1987.

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